Sunday, 6 April 2014

LIVRE na Europa

Em Dezembro passado aderi a um novo partido político, o LIVRE, e apoio-o nas próximas eleições europeias. É a primeira vez que me inscrevo num partido. Fi-lo espontaneamente algumas semanas antes da Assembleia Constituinte, em Dezembro passado, por três razões essenciais: um, porque pela primeira vez senti alguma consonância politico-ideológica com um partido político português; dois, pela urgência dos problemas que se colocam hoje à sociedade portuguesa, à sociedade Europeia em geral, e mais globalmente à humanidade; finalmente, três, porque o formato de partido político do LIVRE responde à necessidade de participação democrática que os partidos tradicionais – inclusive os de Esquerda – inibem pelo seu funcionamento elitista.

Um, há muito tempo que o deslize do PS para a Direita e o entrincheiramento do Bloco de Esquerda contra o capitalismo de qualquer estirpe têm aberto no espaço político português um vazio de representação na Esquerda não revolucionária; e há certamente uma grande massa do eleitorado português que se situa nesse quadrante, no qual me incluo. Para além disso, nunca houvera uma representação séria da sensibilidade ecologista – que me é especialmente cara – em Portugal (para além das ONGs, de um ou outro deputado, e do PEV como anexo do PCP).

Dois, os problemas urgentes que se colocam hoje a Portugal, à Europa, e ao mundo como um todo, interpelam de forma muito particular estes espaços políticos da esquerda e da ecologia. Da esquerda, porque a erosão dos ganhos sociais e económicos do modelo social europeu (e, mesmo, de um modelo fordista semi-redistributivo americano) tornou-se uma derrocada com a afirmação da lógica da austeridade como resposta dominante à crise financeira dos últimos 5 ou 6 anos. Da ecologia, porque os limites ecológicos da sustentabilidade global das sociedades humanas se estão a tornar cada vez mais evidentes – a todos os níveis.

Três, o formato político actual das democracias liberais, inclusive o funcionamento interno dos partidos políticos, fica aquém do potencial instalado de democraticidade nessas sociedades, dado o estado actual de evolução tecnológica, científica e educativa. O aprofundamento da participação democrática tanto nos processos internos dos partidos como nos processos de decisão do Estado não é apenas um valor ou um objectivo desejável. Pelo contrário, é uma necessidade cada vez mais urgente precisamente porque as elites políticas e económicas têm-se revelado desinteressadas e incapazes de enfrentar os problemas mais graves das nossas sociedades. Elas carecem da participação aberta dos cidadãos nos processos de decisão transparentes (pelo brainstorming, pelo debate público prévio, pelos orçamentos participativos, etc) para partilharem a responsabilidade dessas decisões, para emendarem erros, e para fundarem os consensos que tão alto apregoam. O que o LIVRE propõe (e me levou a aderir ao partido) é esse espaço de debate aberto e transparente (a Ágora pública, o espaço de racionalidade plural de Habermas, todas as propostas sujeitas à contestação) até ao limite de todas as reuniões políticas serem à porta aberta e com livestream, e de as listas de candidatos a eleições, quer sejam locais, nacionais, ou europeias, estarem sujeitas a primárias abertas.

Não sei ainda que implantação o LIVRE poderá vir a ter na sociedade portuguesa, nem que força motriz poderá incutir à sua mudança política e social, nem que papel poderá vir a ter no terreno de luta europeu, que é neste momento o terreno das decisões fundamentais (e isto depende em grande parte da capacidade do partido de mobilizar um eleitorado natural nas próximas eleições europeias). O LIVRE ainda está em formação, e não tem respostas pret-à-pôrter a todas as questões que enfrenta. Mas o método que o partido propõe interpela a sociedade civil, sobretudo à esquerda, a intervir, a debater, a contradizer as suas posições, a apresentar alternativas, e tudo isso em espaço aberto. Será, no mínimo, pedagógico.



O LIVRE realizou hoje as suas primeiras primárias abertas, para escolha da ordem da lista de candidatos às eleições europeias. Votei no Teatro Rápido, em Lisboa. O site do LIVRE, com informações, programas, contactos, etc., encontra-se em livrept.net

Tuesday, 1 April 2014

Prologue

Europe is my cradle, my culture, and my home. From the bright shores of Portugal where I was born to the green fields of England, from the teeming crossroads of the Brabant to the dark wooded slopes of Franconia, through railroad and airport and autobahn, this is my land and this is my people, among whom I have lived and who have made me who I am.

The destiny of Europeans has been forged together, in steel and struggle and bloodbath, in faith and doubt and knowledge, in terror and trust and trysting. They have turned out towards the World, and then back inward towards themselves. They have turned against each other and then come together, but are still uneasy about it, all too ready to misunderstand each other, scapegoat each other, and fall back onto provincial selfishness when things do not go according to plan.

That is thus where we now stand, and this is how I place myself: on the inter-europe-express; on the lines of interconnection in European culture and political history, between here and there, between past, present, and future, between languages and ideological perspectives, between diverse memories and diverse visions; between the different dimensions of Europe that have been and that are yet to emerge.

Europe as a culture is a bit like Europe as a place: a tenuous peninsula, anchored in the large inert landmass of its past, its complex infrastructures and ideologies, and its fears, but pointing out boldly to a liquid ocean of freedom, progressive discovery, and solidarity. I am aware of how optimistic the latter sounds. But it is exactly in times of crisis, when the bounds of policy are the too-tight boundaries of imagination, that to inhale optimistically, even with short inebriating bursts of poetry, is most needed, in order to exhale solutions out of walls of the box.

This is the aim of this blog.


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