Sunday, 13 December 2015

Declaração de candidatura à Assembleia do partido LIVRE

Os quatro pilares do LIVRE propoem respostas a três grandes crises das nossas sociedades: a Esquerda à crise económica, a Ecologia à crise ambiental, e a Liberdade e Europa à crise da democracia.

Nas últimas eleições, esteve em foco a crise económica; uma crise que começou como crise financeira, agravada por políticas que acentuaram as suas causas (desregulamentação financeira, austeridade, destruição do estado social). No Tempo de Avançar, o LIVRE participou num movimento pelo combate às políticas de austeridade e pela convergência da esquerda. Ambas tiveram sucesso na formação do governo actual, mas esse foi um sucesso do qual fomos excluídos.

Em contraste, a crise ambiental global (alterações climáticas, destruição de ecossistemas, esgotamento de solos) não tem o mesmo destaque político no novo governo. Esta é uma crise que exige uma luta permanente pela sustentabilidade, introduzindo sistematicamente na decisão política a avaliação científica dos problemas ambientais. Neste aspecto, podem-se colocar dúvidas à racionalidade científica dos (poucos) actores parlamentares preocupados com estas questões.

A terceira, a crise da democracia e vida social, exprime-se na tendência de perda de privacidade individual (exposição na internet, vigilância acrescida) associada à tendência para a opacidade nos processos de decisão na vida pública (dos estados, partidos políticos ou grandes empresas): o que era privado torna-se público, o que era público torna-se cada vez mais privado (ex. as negociações do TTIP). Mais uma vez, a convergência de esquerda no governo tem uma fraca capacidade de resposta a estes desafios, seja porque não os assume como urgentes, seja porque na sua prática politico-partidária sofre das mesmas limitações de opacidade.

Não tem que ser assim. A nossa sociedade pode construir uma democracia mais profunda e mais civilizada, com a capacidade de organizar a vida económica de forma mais justa, e com um controlo mais racional da nossa relação com os recursos e o  ambiente. Neste momento, só o LIVRE apresenta uma identidade ideológica e fornece um modelo de participação política que pode atar os nós destes problemas. É por isso que a sua continuidade é fundamental.

O grande desafio do LIVRE – o desafio que estabelecerá a sua relevância – é o de saber ser crítico a um governo das esquerdas sem jogar a favor da direita. É um desafio moral e de inteligência, porque é sempre mais difícil – e por isso mais necessário – criticar, sem cair na mesquinhez, o nosso campo ideológico do que o oposto. A organização do partido para os próximos ciclos eleitorais é necessária, e espero contribuir para ela, e a sua implantação territorial também. Mas, acima de tudo, é fundamental a definição da sua identidade política e intervenção pública.

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