Os quatro pilares do
LIVRE propoem respostas a três grandes crises das nossas sociedades: a Esquerda
à crise económica, a Ecologia à crise ambiental, e a Liberdade e Europa à crise
da democracia.
Nas últimas eleições,
esteve em foco a crise económica; uma crise que começou como crise financeira,
agravada por políticas que acentuaram as suas causas (desregulamentação
financeira, austeridade, destruição do estado social). No Tempo de Avançar, o
LIVRE participou num movimento pelo combate às políticas de austeridade e pela convergência
da esquerda. Ambas tiveram sucesso na formação do governo actual, mas esse foi
um sucesso do qual fomos excluídos.
Em contraste, a crise
ambiental global (alterações climáticas, destruição de ecossistemas,
esgotamento de solos) não tem o mesmo destaque político no novo governo. Esta é
uma crise que exige uma luta permanente pela sustentabilidade, introduzindo sistematicamente
na decisão política a avaliação científica dos problemas ambientais. Neste
aspecto, podem-se colocar dúvidas à racionalidade científica dos (poucos)
actores parlamentares preocupados com estas questões.
A terceira, a crise da
democracia e vida social, exprime-se na tendência de perda de privacidade
individual (exposição na internet, vigilância acrescida) associada à tendência
para a opacidade nos processos de decisão na vida pública (dos estados,
partidos políticos ou grandes empresas): o que era privado torna-se público, o
que era público torna-se cada vez mais privado (ex. as negociações do TTIP). Mais
uma vez, a convergência de esquerda no governo tem uma fraca capacidade de
resposta a estes desafios, seja porque não os assume como urgentes, seja porque
na sua prática politico-partidária sofre das mesmas limitações de opacidade.
Não tem que ser assim. A nossa sociedade pode construir uma democracia mais profunda e mais civilizada, com a capacidade de organizar a vida económica de forma mais justa, e com um controlo mais racional da nossa relação com os recursos e o ambiente. Neste momento, só o LIVRE apresenta uma identidade ideológica e fornece um modelo de participação política que pode atar os nós destes problemas. É por isso que a sua continuidade é fundamental.
O grande desafio do LIVRE
– o desafio que estabelecerá a sua relevância – é o de saber ser crítico a um
governo das esquerdas sem jogar a favor da direita. É um desafio moral e de
inteligência, porque é sempre mais difícil – e por isso mais necessário –
criticar, sem cair na mesquinhez, o nosso campo ideológico do que o oposto. A
organização do partido para os próximos ciclos eleitorais é necessária, e
espero contribuir para ela, e a sua implantação territorial também. Mas, acima
de tudo, é fundamental a definição da sua identidade política e intervenção
pública.